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A Prefeitura de São Paulo destruiu a sede do Teatro Vento Forte, fundado em 1984 no bairro do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo, no dia 13 de fevereiro, sem avisar ninguém, afirma o responsável pelo local, Claudeir Gonçalves, 52.

O prédio fica no Parque do Povo. O teatro estava com as atividades pausadas, mas guardava um acervo de 40 anos de trabalhos. “Embaixo desses escombros há cenários, figurinos, peças de décadas de arte“, diz Ademir de Castro, 54, arte-educador que frequentou o grupo por 27 anos.

Em nota enviada à imprensa, a prefeitura ainda disse que o local tinha “sinais de abandono” e que os objetos foram “retirados pelo responsável da atividade, com ajuda da equipe operacional da Prefeitura de São Paulo”. No domingo, havia peças sob escombros e um piano destruído em meio ao concreto

Parque do Povo é tombado desde 1995. Segundo órgão de preservação do patrimônio histórico, para realizar qualquer intervenção no local, é preciso pedir uma autorização. Gestão municipal alega que edificações estavam em desacordo com tombamento e que demolição está de acordo com a legislação vigente.

Apesar das edificações derrubadas não estarem especificadas no tombamento do parque, o documento estabelece que, no local, “equipamentos ou instalações somente poderão ser construídos, alterados, retirados ou substituídos, mediante aprovação prévia do Condephaat” — o que, segundo o próprio órgão, não ocorreu.

O Condephaat afirmou que não possui registro de pedidos recentes de intervenção no Parque do Povo. Disse ainda que não havia recebido nenhuma denúncia a respeito da demolição das estruturas mencionadas, mas irá verificar a situação após o contato da imprensa.

Intervenções em imóveis tombados necessitam de deliberação, autorização e disponibilização dos documentos necessários para posterior execução pelo autor do pedido“, explicou o Condephaat.

A prefeitura informou que “estuda projetos para uma nova utilização do espaço no Parque do Povo, respeitando seu valor cultural e social”. Disse ainda que atua para garantir que as diretrizes legais sejam cumpridas.

A ocupação do espaço pelo Teatro Vento Forte apresentava atividades incompatíveis com a Resolução do órgão de patrimônio estadual. A estrutura de alvenaria foi construída em 2012 sem autorização do Condephaat, após o tombamento do local, ocorrido em 1995, e encontrava-se em condições precárias. À época do tombamento, havia na área apenas uma tenda. Além disso, a construção estava abandonada e não havia indícios de uso cultural ou teatral. Pelo contrário, o local era utilizado para atividades irregulares, como comércio de bebidas alcoólicas e estacionamento não autorizado, sem o conhecimento da administração municipal, mesma situação constatada em relação à escola de capoeira. A edificação construída irregularmente também encontrava-se em desacordo com a própria Resolução nº SC-24 de 03 de junho de 1995 que é explícita ao informar que “em nenhuma hipótese serão toleradas construções com mais de dois pavimentos ou 10,00 metros de altura”

Nas redes sociais, diversos movimentos e profissionais da cultura publicaram mensagens de apoio. O cantor Chico César publicou uma foto ao lado de um piano que resistiu quase intacto à demolição. “O Teatro Vento Forte e a escola Angola Cruzeiro do Sul continuam vivos em nossa luta”, escreveu.

A equipe do Sou Ilhabela, deseja que após este triste episódio na cultura de um local cheio de historias, o melhor seja desenvolvido, para seguirmos valorizando a cultura brasileira, que é tão necessária para nossa identidade.

 

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