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Não dá para continuar com um sistema em que o professor é o detentor do conhecimento e o aluno um arquivo em que esse conteúdo deve ser “depositado” – basicamente, o modelo do século 19. Precisamos levar o século 21 para a escola. O que significa criar sistemas que deem aos alunos oportunidade e capacidade de acessar esse arsenal de novidades produzido de forma constante em diversas disciplinas.

Quando falamos em escola do século 21 as pessoas pensam que estamos falando em levar tablets e smartphones para as salas de aula. Não é só isso. É claro que essas novas tecnologias da informação são importantes, mas não são suficientes.

A criança não pode apenas decorar conceitos ou receber informações do professor. Precisa desenvolver um pensamento crítico e um raciocínio lógico aguçado, desenvolver sua capacidade de inovar, ser criativa e flexível e de resolver problemas. Essas habilidades sócio – emocionais são cruciais para que as pessoas e países possam prosperar. E o professor deve ser um mediador nesse processo. Mais do que o conhecimento certo, precisamos fomentar as atitudes certas.

Ensinar a ter inteligência emocional, inteligência financeira, desde cedo, o quanto antes, porque essas informações que podem ser passadas na vida escolar das crianças, irão fazer uma diferença imensa na pré adolescência deles, de não praticar bulling, ter mais apoio no seu dia a dia, através de atividades elaboradas por psicólogos que se unam aos professores, dentro mesmo da carga de horário estudantil, o que facilitará para a redução do número de suicídios de adolescentes que tem crescido no Brasil, muitas vezes pela falta de inteligência emocional em lidar com redes sociais, o comparativo tem sido imenso, ao ver numa foto e gerar aquele sentimento “ Nossa porque ele tem essa vida e eu não tenho”…o adolescente não consegue se ver em uma vida diferente; ainda mais se ele tem uma família desestruturada, ele não vê a solução de mudança e acaba tirando aquele sofrimento dentro dele…

 

Educação pelo mundo

Há diversas experiências interessantes nessa área. No Japão, por exemplo, desde a pré-escola as crianças passaram a receber brinquedos grandes, com os quais não podem brincar sozinhas. Elas precisam da ajuda dos amiguinhos. O objetivo é desenvolver a competência de colaboração nos alunos desde pequenos, porque eles já entenderam que essa capacidade de trabalhar em grupo será importante para os japoneses em um mundo globalizado, em que eles têm de lidar com pessoas e povos de cultura diferentes.

No Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação do RJ, já é trabalhado em times para levar adiante ações envolvendo a escola e a comunidade; em que fazem pesquisas relacionadas a diferentes áreas de conhecimento; e os projetos de vida, em que refletem sobre suas trajetórias escolares e vivenciam situações que lhes permitam construir suas identidades e projetos de vida.

Uma criança disciplinada, perseverante e focada aprende. E as pesquisas mostram que pode ter tanto ou mais sucesso na escola e fora dela do que uma criança considerada muito inteligente, com QI alto. Não adianta ser um Einstein em potencial. Então algo que precisamos pensar seriamente é como desenvolver essas qualidades. Outra coisa interessante que as pesquisas têm mostrado é que as habilidades sócio – emocionais podem ter um impacto maior que o nível socioeconômico de uma criança em seu desempenho escolar.

Há vinte anos, era comum ouvirmos no Brasil que as crianças pobres não conseguiam aprender direito porque eram subnutridas, não comiam bem. Esse discurso foi superado. Há de fato alguma correlação entre nível socioeconômico e aprendizagem, mas o papel da escola é mudar isso. Senão teríamos de concluir que é preciso enriquecer todas as crianças brasileiras e suas famílias para que elas consigam aprender – o que é um absurdo.

A educação deve ajudar na ascensão social da criança. Não o contrário. O que os estudos mostram é que mesmo crianças pobres, com backgrounds familiares desfavoráveis, conseguem prosperar na escola e na vida se tiverem as habilidades socioemocionais certas.

Mas acho que nossa grande tarefa hoje ainda é identificar qual direção queremos tomar em termos de educação pública, porque se não sabemos para onde vamos, não importa se o contexto está favorável ou não. Nenhum vento ajuda quem não sabe em que porto quer atracar.

 

 

Texto: inspirado nas palavras da Viviane Senna retratando a realidade educacional no Brasil.

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