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Aline Lopes é a nossa nova colunista do Sou Ilhabela, ela é cientista política e jurídica, sempre atuou em causas humanitárias e sociais, como na Ouvidoria de Segurança Pública do estado do Pará, bolsista pesquisadora da FIDESA e ações realizadas em entidades de direitos humanos.

Atualmente abraçou a causa para trabalhar com as famílias atípicas, pela sua experiência com seu filho Antônio, de 5 anos, autista nível 3 de acompanhamento não verbal, que a inspirou a desenvolver o projeto GAMA,  que em breve nos falaremos mais, numa pauta especial sobre essa maravilha em Ilhabela.

Confira a pauta de hoje

O Congresso Nacional tentou votar em vinte e dois segundos a PL que equipara aborto a homicídio, isso significa que a mulher que decidir interromper a gravidez, poderia receber uma penalidade maior que de um homem que cometer crime de estupro; significa que as mulheres que quiser tomar decisões sobre seus próprios corpos, poderão ser julgadas por crime hediondo, não afiançável em Tribunal Juri.

Devido a toda divulgação com tantas personalidades apoiando a não confirmação desta lei que criminalizava as mulheres, ao invés de fazer políticas públicas para sua proteção e proteger as mulheres contra o estupro, esta lei não foi atualizada.

Há um ano, o Presidente do Congresso Nacional, Arthur Lira firmou o compromisso político coma bancada evangélica de julgas essa PL em troca de apoio para a sua condição na Câmara.
Vejam, foi solicitado em CARÁTER DE URGÊNCIA: e quase na velocidade da luz…em 24 segundos! Eu me pergunto, por que uma PL que erradicar a fome no nordeste não é votada em
24 segundos?

O Banco Mundial sobre a violência, no ano de 2019, divulgou que 09 a cada 10 MULHERES AUTISTAS SÃO ESTUPRADAS, que a discriminação e violência física iniciam ainda na infância,
que meninas autistas são excluídas dos programas de saúde reprodutiva e educação sexual, mulheres autistas são marcadas por esse estigma e concepções erradas, que o risco de
violência sexual são reais para mulheres deficientes, mesmo durante a vida madura. Salienta, ainda, que a leis não são eficazes para coibir todos esses atos, mas que são necessárias
medidas preventivas e cuidados.

No Brasil, 38 meninas se tornam mães POR DIA! Meninas autistas, negras e pobres, que estudam em escolas públicas, terão maiores chances de ‘incorrer neste crime’ se esta PL for
aprovada; o ex-Presidente da República proibiu aulas sobre educação sexual nas escolas, inviabilizando a conscientização, debate e orientação sobre sexualidade e medidas preventivas
para esclarecer sobre uma gravidez indesejada.

É absolutamente utópico e hipócrita acreditar que uma criança que foi mãe aos 10 anos, conversará sobre sexualidade com suas filhas.

Hoje vemos muitas mulheres artistas, figuras públicas de poder aquisitivo muito maior que são provenientes de escolas particulares, admitindo publicamente que praticaram abortos em algum momento de suas vidas.

Ora…estiveram cercadas de cuidados médicos adequados para garantir que a decisão sobre seus corpos fosse viabilizado de forma segura, e aborto no Brasil ainda é crime!

Não há nenhuma PL votada em 24 segundos que impeça médicos e mulheres, nesse sentido!

É importante esclarecer que o fato de a PL ter sido votada em caráter de urgência, demonstra uma necessidade latente de “proteção de direitos”, e não o julgamento do mérito em si, ou seja; o conteúdo desta lei. Por tanto, não podemos nos calar!

Enquanto mães, debatermos abertamente esse tema, entre nós, nas nossas casas, no nosso bairro e redes sociais, para que outras pessoas possam refletir. Pessoas religiosas permitam que seus filhos recebam educação sexual nas escolas, pois essa aula poderá salvar sua vida.

Sou mãe do menino, Antônio Vittório preto, autista que sabe identificar quando uma mulher diz não! Porque eu educo ele com qualidade e muita informação.

Desejo nesta coluna divulgar os direitos dos autistas, não esquecendo que vivem em uma sociedade que tem leis e políticos que deverias representa a DEMOCRACIA!

Políticas Públicas também devem ser criadas nesse sentido, de forma planejada a sociedade junto a representantes do poder executivo que esteja aberto e sensível para o que realmente
importa:

O SER HUMANO NO CENTRO DAS DECISÕES POLÍTICAS! Enquanto o ego, luta pelo poder estiverem no foco dessas decisões, mulheres, crianças, pessoas deficientes, meio
ambiente sempre sentirão de maneira mais severa as consequências.

Lutemos para que uma PL que foi votada em 24 segundos, por reconhecer o caráter de urgência, tenha seu mérito discutido em 24 meses, para que mulheres brasileiras sejam ouvidas e que a sociedade como um todo seja respeitada.

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