“As pessoas que não tinham nada eram mais fortes do que as pessoas da minha classe social”, explicou. “Queria me aproximar dos pobres e não conseguia, eles me tratavam como riquinho. Só vi igualdade quando virei mendigo mesmo”, afirmou Marinho.
O artista de rua contou que não era feliz quando vivia com a família. “Eu só queria ganhar a vida e ter satisfação de viver”, disse sobre a decisão de ir para as ruas. “Eu sentia que sempre tinha um pobre me servindo”, explicou sobre não encontrar felicidade na vida de luxo.
“Eu tive um medo muito grande de ter uma vida sem sentido. Um medo maior do que o medo de morrer, maior do que o medo de ficar na miséria”, desabafou, apesar de reconhecer de que tinha uma vida boa com a família. “Quando eu vivia como filho do coronel, era muito bem tratado, mas era um tratamento cênico. Só encontrei sinceridade na mendicância”, disse. “Prefiro mil vezes um pé na bunda com sinceridade do que um sorriso falso.”
E assim ele vive na rua a muitos anos, desde que sua consciência ficou a frente de todos os seus privilégios, por isso suas reflexões são muito valorosas e de verdade.


